Síria em chamas: Ataques israelenses em Damasco e confrontos com drusos em Sweida reacendem tensões regionais

Confrontos entre tropas do governo sírio e milícias drusas em Sweida, Síria.
Confrontos violentos entre forças governamentais e milícias drusas na região de Sweida, Síria, intensificando a instabilidade regional./ outlookindia/AP/Omar Albam

A Síria voltou a ser palco de uma escalada preocupante de violência, marcada por ataques aéreos israelenses em Damasco e confrontos intensos com a comunidade drusa na cidade de Sweida. Este cenário reforça o caráter complexo e multifacetado do conflito sírio, que se mantém como um dos mais intrincados e devastadores do Oriente Médio, envolvendo atores locais e regionais com interesses variados e frequentemente contraditórios.

Ataques israelenses em Damasco: alvos estratégicos e implicações

Em 16 de julho de 2025, Israel realizou ataques aéreos em Damasco, atingindo o Ministério da Defesa e o palácio presidencial sírio. Esses ataques visam enfraquecer as estruturas militares e políticas do regime de Bashar al-Assad, que foi deposto em dezembro de 2024. O novo governo interino, liderado por Ahmed al-Sharaa, tem enfrentado resistência de diversas comunidades, incluindo os drusos.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou uma mudança de postura, passando de advertências para ações militares diretas, com o objetivo de proteger a comunidade drusa. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também enfatizou a importância de defender os drusos sírios, considerando-os aliados naturais de Israel. No entanto, a intervenção israelense gerou críticas internacionais, com a Arábia Saudita condenando os ataques como uma violação da soberania síria e expressando apoio ao governo de Damasco.

Conflitos com a comunidade drusa em Sweida: rompimento do cessar-fogo e agitação interna

Paralelamente aos ataques aéreos, a cidade de Sweida, situada no sul da Síria e com uma significativa população drusa, tem testemunhado o rompimento de um cessar-fogo previamente anunciado, desencadeando confrontos violentos entre grupos armados e forças governamentais. A violência começou com seqüestros mútuos entre membros da comunidade drusa e tribos beduínas sunitas, escalando rapidamente para confrontos armados. O governo sírio enviou tropas para restaurar a ordem, mas as forças de segurança também entraram em confronto com grupos armados drusos.

O líder espiritual druso Sheikh Hikmat al-Hajri acusou o governo de violar o cessar-fogo, afirmando que as forças sírias continuaram a atacar civis desarmados. Em resposta, Israel lançou ataques aéreos contra posições do governo sírio em Sweida, justificando-os como uma medida para proteger a comunidade drusa. O governo sírio condenou os ataques israelenses, considerando-os uma agressão e violação da soberania nacional.

Contexto regional e consequências geopolíticas

A Síria continua sendo um tabuleiro estratégico para interesses conflitantes no Oriente Médio. A presença de atores como Irã, Rússia, Estados Unidos e Turquia, bem como grupos locais e transnacionais, torna o conflito um dos mais complexos do mundo. A queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024 abriu um vácuo de poder, com diversas facções competindo pelo controle territorial e político.

Os ataques israelenses refletem a contínua política de Tel Aviv de impedir o fortalecimento do eixo iraniano no Levante, que ameaça alterar o equilíbrio de poder regional. Por sua vez, o recrudescimento dos confrontos internos, especialmente envolvendo minorias como os drusos, expõe a fragilidade do Estado sírio e a dificuldade do regime em garantir segurança e governança em todo o território nacional.

A continuidade dessas tensões pode ter efeitos diretos na estabilidade regional, incluindo o aumento do fluxo de refugiados, a intensificação dos combates e a possibilidade de confrontos mais amplos envolvendo aliados de diferentes países.

Considerações finais

Os eventos recentes na Síria — ataques israelenses em Damasco e confrontos com os drusos em Sweida — são indicativos de um cenário ainda volátil e imprevisível. A complexidade das relações internas e externas exige atenção constante e esforços diplomáticos renovados para evitar que a violência se amplie e provoque consequências ainda mais desastrosas para a população civil e a estabilidade do Oriente Médio.

A comunidade internacional enfrenta o desafio de conciliar interesses divergentes e promover soluções que respeitem a soberania síria e garantam a segurança de todos os povos da região. Enquanto isso, o povo sírio permanece no epicentro de um conflito cujas raízes e ramificações vão muito além das fronteiras do país.

Para compreender melhor a evolução recente dos conflitos envolvendo a comunidade drusa e os ataques israelenses na Síria, confira também as matérias abaixo, que trazem informações importantes dos meses anteriores:

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