Mudança Histórica no Governo da Ucrânia: Saída de Denys Shmyhal e a Ascensão de Yulia Svyrydenko

Yulia Svyrydenko em reunião oficial no gabinete do governo ucraniano, julho de 2025
Yulia Svyrydenko durante reunião no gabinete presidencial, em Kyiv, julho de 2025. Foto: United24 Media / Gabinete da Presidência da Ucrânia

Em um movimento que marca uma reestruturação profunda do governo ucraniano em plena guerra contra a invasão russa, o Parlamento da Ucrânia votou nesta quarta-feira pela destituição do primeiro-ministro Denys Shmyhal. A decisão, amplamente interpretada como um passo estratégico para renovar a liderança do país e fortalecer a administração em tempos de crise, abre caminho para a ascensão de Yulia Svyrydenko, ex-vice-primeira-ministra e então ministra da Economia.

O fim de uma era: legado de Denys Shmyhal

Denys Shmyhal assumiu o cargo de primeiro-ministro em março de 2020, em um contexto de crescente tensão política e econômica. Sua gestão foi marcada por desafios colossais: a pandemia de COVID-19, a intensificação da guerra com a Rússia a partir de 2022 e a necessidade urgente de reformas institucionais para alinhamento com os padrões da União Europeia.

Durante o período de Shmyhal, a Ucrânia conseguiu avanços importantes, incluindo o status de candidata à UE, a obtenção de financiamentos bilaterais e multilaterais, e a manutenção da infraestrutura governamental sob constantes ataques militares. No entanto, também foi criticado por lentidão em certas reformas, dificuldades de coordenação com o setor de defesa e falta de comunicação clara com a população em momentos-chave.

A escolha de Yulia Svyrydenko: juventude, competência e pragmatismo

Yulia Svyrydenko, de 39 anos, é economista por formação e possui um histórico político ascendente dentro do governo Zelensky. Antes de assumir cargos ministeriais, atuou como vice-governadora da região de Chernihiv e depois como primeira vice-ministra da Economia. Seu desempenho foi decisivo na resposta local durante as primeiras fases da invasão russa, o que a projetou nacionalmente.

Sua atuação como ministra da Economia foi marcada por medidas de estabilização macroeconômica, atração de investimentos estrangeiros e gestão eficaz dos recursos enviados por aliados ocidentais. Também teve papel central na negociação de ajudas com o FMI, Banco Mundial e a União Europeia.

Sua nomeação como principal candidata ao cargo de primeira-ministra reflete a estratégia do presidente Volodymyr Zelensky de dar novo fôlego ao governo. Fontes próximas ao gabinete presidencial afirmam que Svyrydenko possui um perfil considerado “tecnocrático e confiável”, com boa recepção entre parlamentares de diferentes alas, o que aumenta suas chances de confirmação.

Implicações políticas e estratégicas

A mudança de comando ocorre em um momento em que a Ucrânia busca aumentar sua resiliência interna diante do prolongamento da guerra e da aproximação das eleições presidenciais. A substituição também visa acalmar pressões internacionais por maior eficiência administrativa no uso de recursos e na implantação de reformas estruturais.

No cenário doméstico, a indicação de uma mulher para liderar o governo tem peso simbólico relevante, refletindo um discurso de modernização e inclusão que pode fortalecer o apoio popular ao governo. Já no plano externo, a escolha de uma figura alinhada com valores ocidentais sinaliza continuidade nas relações com a OTAN, Estados Unidos e União Europeia.

Reação internacional e próximos passos

Lideranças europeias e dos EUA já expressaram apoio à transição. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que “a continuidade institucional e a liderança eficaz são fundamentais para a reconstrução da Ucrânia e para sua adesão plena à União Europeia”. O Secretário de Estado norte-americano também ressaltou que Washington “continuará a apoiar a Ucrânia na defesa da sua soberania e na promoção de boas práticas de governança”.

A própria Svyrydenko, em declaração recente no canal oficial do governo ucraniano, afirmou: “Aceito com responsabilidade a tarefa de liderar nosso governo em um dos momentos mais desafiadores da história moderna da Ucrânia. Nossa prioridade é a vitória, a reconstrução e a integração europeia.”

A confirmação oficial de Yulia Svyrydenko como primeira-ministra está prevista para ser votada até o final desta semana. Segundo fontes do parlamento ucraniano, a maioria dos partidos da coalizão governista já sinalizou apoio. Espera-se uma transição ordenada, com possíveis ajustes no ministério econômico e na equipe de gestão da crise militar.

Conclusão

A substituição de Denys Shmyhal por Yulia Svyrydenko representa uma mudança significativa na política ucraniana em um dos momentos mais críticos da história recente do país. Com uma liderança renovada, técnica e com respaldo internacional, a Ucrânia tenta reforçar sua estabilidade interna e preparar-se para o difícil período de reconstrução que virá após o conflito. Resta agora saber se a nova primeira-ministra conseguirá unir capacidade técnica, apoio parlamentar e respaldo popular para conduzir o país rumo à vitória e à integração europeia definitiva.

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