
A Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI) segue redefinindo fluxos globais de infraestrutura e capital. Em 2025, observou-se um ápice histórico de desembolsos por empresas chinesas, especialmente nos setores de energia, mineração e tecnologia. Este artigo revisa e complementa dados recentes, analisa determinantes e riscos, e projeta o futuro da BRI com base em relatórios de universidades, instituições financeiras e agências de análise.
Panorama Geral dos Investimentos
No primeiro semestre de 2025, as atividades de investimento e contratos de construção vinculados à BRI alcançaram US$ 124 bilhões em 176 acordos, ultrapassando os US$ 122 bilhões de 2024. O valor acumulado de contratos chega agora a US$ 1,3 trilhão, sendo US$ 775 bilhões em construção de infraestrutura e US$ 533 bilhões em investimentos não financeiros.
Setor de Energia: Expansão e Transição Verde
Em 2024, o total de engajamento da China em energia no âmbito da BRI aproximou‑se de US$ 40 bilhões, o maior patamar desde 2017. Deste montante, US$ 11,8 bilhões foram direcionados a projetos de energia limpa (solar, eólica, biomassa), representando cerca de 30% do total setorial. Além disso, a China instalou 24 GW de capacidade em projetos de energia nos países BRI em 2024, com 52% de participação em fontes renováveis — 8 GW de solar e 5 GW de hidrelétricas. O restante inclui gasodutos e projetos convencionais de carvão e gás.
Exemplo: O parque solar de Noor Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, construído em parceria com empresas chinesas, é um dos maiores projetos solares do Oriente Médio, com capacidade instalada de 1,2 GW, simbolizando o compromisso da BRI com energia limpa em regiões estratégicas.
Mineração: Garantia de Matérias‑Primas Estratégicas
O setor de metais e mineração atingiu US$ 21,4 bilhões em investimentos em 2024, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior. Projetos-chave abrangem extração de lítio, níquel, cobalto e grafite — essenciais para baterias e a transição energética global. As regiões líderes são:
- África: minas de cobalto na República Democrática do Congo e de cobre na Zâmbia.
- América Latina: jazidas de lítio na Bolívia e no Chile.
- Sudeste Asiático: operações de níquel e bauxita na Indonésia e Malásia.
Exemplo: A mina de cobalto de Tenke Fungurume, na RDC, com significativa participação chinesa, é um dos principais fornecedores mundiais do mineral essencial para baterias de veículos elétricos.
Tecnologia: Da Manufatura Avançada à Infraestrutura Digital
Em 2024, os investimentos em tecnologia e manufatura dentro da BRI superaram US$ 30 bilhões, outro recorde. Áreas de destaque:
- Baterias para veículos elétricos: fábricas da BYD na Indonésia e investimentos da Gotion na Eslováquia.
- Energia de hidrogênio: projetos-piloto em parceria com países europeus e no Cazaquistão.
- Data centers e redes 5G: construção de centros de dados em nações do Sudeste Asiático e Ásia Central.
Exemplo: O hub de tecnologia de Hangzhou, com investimento BRI, se destaca pela implementação de centros de dados com inteligência artificial e tecnologia 5G, conectando a Ásia com mercados globais.
Fatores Determinantes e Riscos
- Diversificação de Mercados: desaceleração do crescimento interno e tensões comerciais com os EUA impulsionam a busca por oportunidades externas.
- Geopolítica: disputas sobre terras raras e minerais críticos criam incertezas e podem elevar custos de projetos energeticamente vulneráveis.
- Sustentabilidade Financeira: bancos públicos chineses e multilaterais são cruciais para viabilizar projetos de grande escala e garantir padrões ambientais.
Perspectivas para 2025 e Além
Analistas prevêem estabilização nos níveis totais de investimento, mas com ênfase crescente em:
- Energia Renovável: expansão de parques solares e eólicos de grande escala.
- Mineração Crítica: aumento de joint ventures e aquisição de participações majoritárias.
- Tecnologias Emergentes: redes inteligentes, internet das coisas e soluções de hidrogênio verde.
A BRI tende a se consolidar como instrumento de política industrial global da China, unindo diplomacia econômica, financiamento estruturado e transferência de tecnologia.
Conclusão
Os recordes de 2025 reforçam a maturidade estratégica da BRI, equilibrando projetos de infraestrutura, transição energética e aquisição de recursos críticos. Apesar dos desafios geopolíticos e ambientais, sua trajetória de expansão deverá continuar a influenciar profundamente a economia global.
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