
Em uma decisão amplamente considerada como um dos movimentos mais significativos desde o início da guerra na Ucrânia, o Conselho da União Europeia aprovou na sexta-feira, 18 de julho, o 18.º pacote de sanções econômicas contra a Federação Russa. O foco central está na interrupção das receitas russas oriundas do setor energético, particularmente por meio da imposição de um novo limite de preço ao petróleo exportado por Moscou e de um veto inédito a transações relacionadas aos gasodutos Nord Stream 1 e 2.
Redução no Teto de Preço do Petróleo: De US$ 60 para US$ 47,60
A medida mais simbólica do pacote é a redução do teto de preço do barril de petróleo russo, que caiu de US$ 60 para US$ 47,60. Essa ação tem como objetivo reduzir drasticamente as receitas que o Kremlin obtém com exportações energéticas, que continuam a financiar a campanha militar russa na Ucrânia.
O novo modelo de teto é dinâmico, ou seja, será ajustado automaticamente com base em uma porcentagem (atualmente 15%) inferior ao preço de referência de mercado do petróleo bruto. Isso evita defasagens e aumenta a eficácia da medida.
Segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, “é imperativo atacar o coração do financiamento da guerra de Putin. O novo teto de preço envia uma mensagem clara: não toleraremos a instrumentalização da energia como arma”.
Estima-se que a medida possa representar uma perda de dezenas de bilhões de dólares por ano à economia russa, ao forçar a venda de petróleo com margens reduzidas em relação ao mercado global.
Dados Específicos Atualizados (18 e 19 de julho de 2025)
Medida | Detalhamento atual |
---|---|
Teto de preço do petróleo russo | US$ 47,60 por barril (15% abaixo do preço de referência global) |
Navios sancionados (“shadow fleet”) | 447 embarcações incluídas na lista negra da UE |
Bancos russos sancionados | 22 novos bancos (além dos já sancionados em pacotes anteriores) |
Produtos refinados bloqueados | Importação proibida, mesmo de terceiros, salvo exceções (EUA, Noruega etc.) |
Entidades sancionadas | +41 empresas e +14 pessoas adicionadas |
Sanções aos Gasodutos Nord Stream
Outra novidade do pacote é a proibição total de qualquer transação relacionada aos gasodutos Nord Stream 1 e 2, mesmo que estejam atualmente fora de operação. Os gasodutos, que ligam diretamente a Rússia à Alemanha pelo Mar Báltico, foram centro de polêmica e sabotações desde 2022, quando sofreram explosões que os inutilizaram.
A medida visa impedir qualquer tentativa futura de reativação ou arroteamento de gasodutos por empresas europeias, dificultando ainda mais o retorno da Rússia ao mercado energético europeu. Especialistas consideram a sanção como “preventiva” e “estratégica”, mantendo a Europa alinhada ao seu objetivo de diversificação energética.
Alvos Diversificados: Energia, Finanças, Defesa
O novo pacote também contempla medidas contra instituições financeiras, empresas de defesa e atores individuais acusados de apoiar ou lucrar com a guerra. Foram adicionados à lista negra:
- Três bancos russos com ligação ao setor militar;
- Mais de 50 empresas fornecedoras de tecnologia de uso dual (civil-militar);
- Oligarcas e altos oficiais acusados de crimes de guerra e violações de direitos humanos.
A UE também está promovendo novas restrições ao fornecimento de componentes eletrônicos, semicondutores, software de navegação e sensores à Rússia, setores considerados críticos para o desenvolvimento de armamentos modernos.
A Shadow Fleet: Elemento Central
As sanções também miram embarcações da chamada “shadow fleet”, uma frota paralela de navios operada por empresas de fachada para transportar petróleo russo sem supervisão internacional, burlando sanções. Para entender melhor o conceito e o risco dessa frota, veja: Polônia Intervém Após Navio da “Shadow Fleet” Russa Ser Avistado Próximo a Cabo Submarino de Energia.
Apoio e Divergências Internas
Embora o pacote tenha sido aprovado por unanimidade, fontes diplomáticas indicam que houve resistências internas. Países com maior dependência histórica do gás russo, como Hungria, Eslováquia e Áustria, buscaram garantias de apoio técnico e logístico para evitar impactos colaterais.
Friedrich Merz defendeu as sanções como ‘um passo essencial para a segurança continental e para a soberania energética da Europa’. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou que ‘a pressão econômica é parte fundamental da nossa estratégia de contenção e apoio à resistência ucraniana’.
Impactos Esperados e Reação Russa
Analistas preveem que as novas sanções provoquem desaceleração no crescimento do PIB russo, que vinha se sustentando em torno de 2% ao ano, apesar dos efeitos das 17 rodadas anteriores de medidas restritivas.
Em Moscou, o governo respondeu com veemência. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia considerará medidas retaliatórias e acusou a UE de “guerra econômica”. No entanto, fontes do setor privado russo indicam preocupação crescente com o isolamento financeiro e tecnológico cada vez mais profundo.
Um Marco na Política Externa Europeia
O 18.º pacote de sanções marca uma inflexão na postura da União Europeia, que demonstra maior coesão e firmeza frente à agressão russa. Com isso, Bruxelas fortalece seu papel geopolítico e sua alinhação com os Estados Unidos e a OTAN.
A medida também sinaliza que a UE está disposta a enfrentar custos econômicos de curto prazo em nome de seus valores democráticos e da estabilidade regional.
Conclusão
O 18.º pacote de sanções da União Europeia representa um marco significativo na estratégia internacional de contenção à agressão russa na Ucrânia. Ao endurecer as restrições ao setor energético e ampliar o alcance das medidas financeiras e militares, a UE reafirma seu compromisso com a estabilidade e a segurança no continente europeu, mesmo diante dos desafios econômicos internos.
Essas sanções não só visam enfraquecer a capacidade financeira do Kremlin de manter o conflito, mas também demonstram a crescente coesão política dos países europeus diante de uma crise geopolítica complexa. Embora a resposta russa possa incluir retaliações econômicas e políticas, o consenso europeu aponta para a continuidade e potencial ampliação dessas medidas, na busca por uma solução diplomática duradoura que respeite a soberania e a integridade da Ucrânia.
Em um cenário global marcado por incertezas, a União Europeia posiciona-se de forma assertiva, destacando seu papel estratégico no equilíbrio geopolítico e reafirmando seus valores democráticos em meio a uma conjuntura de tensão e conflito.
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