Ataques aéreos massivos na Ucrânia expõem nova fase do conflito com a Rússia

Edifício residencial destruído na Ucrânia após ataque aéreo russo em 2025
Civis e socorristas removem escombros após ataque aéreo russo que atingiu edifícios residenciais na Ucrânia. (Foto: AP via Al Jazeera)

A guerra entre Rússia e Ucrânia atingiu um novo patamar de intensidade na madrugada desta sexta-feira (19), com uma das maiores ofensivas aéreas já registradas desde o início do conflito, em fevereiro de 2022. Mais de 300 drones kamikaze e pelo menos 30 mísseis de cruzeiro russos foram lançados em um ataque coordenado contra diversas regiões ucranianas, em uma estratégia que visou simultaneamente centros urbanos, infraestruturas críticas e alvos industriais.

Odesa e Sumy sob fogo direto

Em Odesa, cidade portuária estrategicamente vital no sul do país, a ofensiva deixou pelo menos uma mulher morta e outras seis pessoas feridas, entre elas uma criança. Vídeos publicados em redes sociais e confirmados por autoridades locais mostram prédios residenciais reduzidos a escombros e equipes de resgate trabalhando entre os destroços. A cidade, que já vinha sendo alvo recorrente de ataques por abrigar infraestrutura logística e militar, foi atingida desta vez em zonas residenciais, gerando condenação internacional.

Na região nordeste de Sumy, a investida russa causou danos significativos à infraestrutura elétrica e ao abastecimento de água. Especialistas apontam que esse tipo de ataque visa enfraquecer a resistência civil e causar colapso nas estruturas de sustentação urbana, o que também compromete a mobilidade das Forças Armadas Ucranianas.

Pavlohrad: seis horas de destruição

O caso mais grave ocorreu em Pavlohrad, cidade localizada no ônus do leste ucraniano, onde um ataque de seis horas foi descrito por autoridades como “infernal”. Segundo o comando militar regional, centenas de drones kamikaze Shahed-136 e mísseis balísticos Iskander atingiram simultaneamente um quartel do Corpo de Bombeiros, uma fábrica de materiais químicos e instalações logísticas.

A natureza coordenada e a escala do ataque indicam uma nova doutrina tática adotada por Moscou: não apenas desestruturar alvos militares, mas causar terror psicológico, sobrecarregar os sistemas de defesa antiaérea e desorganizar as redes de socorro e comunicação.

Implicações estratégicas e reviravolta no teatro de guerra

Este ataque marca um ponto de inflexão na campanha russa. Além de demonstrar capacidade logística para coordenar centenas de ataques simultâneos, a Rússia também sinaliza que pretende intensificar a guerra de atrito. Segundo analistas do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), a nova ofensiva pode ser uma resposta à recente aprovação do 18º pacote de sanções da União Europeia, que atinge diretamente o setor de energia russo e sua “frota fantasma”.

Do ponto de vista ucraniano, o desafio logístico torna-se ainda mais crítico. Apesar dos recentes reforços vindos da Austrália, incluindo tanques M1A1 Abrams e drones de reconhecimento, o país enfrenta dificuldades para manter um sistema de defesa aérea eficaz e de ampla cobertura.

Impacto humanitário e colapso emocional

A população civil ucraniana continua sendo a principal vítima. Em Kyiv, mais de 165 mil pessoas passaram as últimas semanas buscando abrigo em estações de metrô. Hospitais relatam aumento expressivo de casos de estresse pós-traumático, insônia e ansiedade generalizada. Especialistas alertam para uma “epidemia silenciosa” de sofrimento psicológico, potencialmente mais devastadora que os danos materiais.

Organizações internacionais, como a ONU e a Cruz Vermelha, intensificaram apelos por corredores humanitários e aumento na ajuda médico-humanitária. Ainda assim, muitas regiões permanecem isoladas ou com acesso limitado a socorro básico.

Conclusão: uma escalada perigosa

O ataque massivo da Rússia não apenas expõe a capacidade destrutiva do Kremlin, mas também indica que o conflito pode estar entrando em uma fase ainda mais sombria e imprevisível. Com as vias diplomáticas praticamente estagnadas, a escalada do uso de armamentos não-convencionais e ataques contra civis torna a resolução pacífica cada vez mais distante.

O mundo assiste, mais uma vez, ao alto custo humano e estratégico de um conflito cujas fronteiras já extrapolaram o terreno militar. A Ucrânia, embora resiliente, precisa de mais do que tanques e mísseis: precisa de um horizonte político claro e de uma comunidade internacional disposta a não apenas condenar, mas agir de forma efetiva.

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