
A linha de frente oriental da Ucrânia tem testemunhado níveis sem precedentes de atividade militar nas últimas semanas. Conforme relatos do Estado-Maior General das Forças Armadas da Ucrânia, em 21 de julho foram contabilizados 176 combates ativos, incluindo ataques aéreos, bombardeios e uso intenso de drones — em seu conceito mais amplo, marcando um dos picos de violência desde o inverno passado.
Drones e Sistemas de Mísseis: A Nova Cara da Ofensiva Russa
A tática russa de emprego de drones kamikaze atingiu níveis recordes, com swarms noturnos que somam entre 200 e 700 veículos não tripulados por operação, conforme observa reportagem da AP News. Esses enxames incluem modelos Shahed/”Geran”, agora aprimorados com autonomia de navegação e carga termobárica, além de decoy drones para saturar as defesas opositoras.
Complementam esses ataques com mísseis de cruzeiro e balísticos: dados de 18 a 19 de julho apontam o lançamento de 12 mísseis Iskander-M/KN-23, 8 mísseis de cruzeiro Iskander-K e 15 mísseis Kh-101, além de 144 drones canhoneados e decoys interceptados pela Ucrânia graças a sistemas EW e antiaéreos. Especialistas alemães estimam que, se mantida a curva de crescimento, a Rússia poderá disparar até 2 000 drones em uma única incursão até novembro de 2025, pressionando ainda mais a capacidade defensiva de Kiev.
Avanços e Batalhas-Chave
- Sumy: Forças russas realizaram incursões na região de fronteira, ameaçando linhas de suprimento, porém sem lograr cercos fulminantes.
- Chasiv Yar e Toretsk: Próximas a Bakhmut, serviram de palco para ofensivas russas de caráter mais simbólico, destinadas a manter pressão constante sobre as defesas ucranianas.
- Kupiansk: Centro logístico estratégico, onde houve ganhos territoriais pontuais que foram sucessivamente contestados por contra-ataques ucranianos, mantendo sob controle as principais rotas ferroviárias.
Apesar do intenso uso de drones e mísseis, ambos os exércitos enfrentam desafios logísticos: a produção contínua de munição e peças para manutenção de enxames dronados sobe de custo, e a reposição de sistemas de defesa aérea mantém-se como gargalo para Kiev
Inovação Militar e Moral das Tropas
Do lado ucraniano, a adoção de drones FPV e unidades especializadas como o “Bulava Drone Unit” têm permitido contra-ataques precisos e evacuações rápidas de feridos. O moral das tropas foi reforçado pela percepção de que, embora superadas numericamente em drones, a combinação de tecnologia eletrônica e tática adaptativa sustenta uma linha de defesa resiliente.
Por sua vez, analistas do ISW destacam que as perdas russas, estimadas entre 900 000 e 1,3 milhão de efetivos desde 2022, incluindo até 350 000 KIA, refletem o alto custo humano de ataques custosos em homens e material.
Cenário Estratégico e Perspectivas
A atual dinâmica de confrontos insinua duas frentes estratégicas:
- Guerra de Atrito: Moscou busca exaurir recursos ucranianos e desgastar o apoio ocidental por meio de enxurradas de ataques de custo relativamente baixo (drones) contra sistemas caros de defesa.
- Preparação para Ofensiva Maior: A escalada nos ataques sugere preparativos para uma ofensiva terrestre ampliada, possivelmente visando centros urbanos de maior importância antes do inverno.
A continuidade do apoio militar e financeiro ocidental, bem como a capacidade de inovação tática de Kyiv, serão decisivas nas próximas semanas. A defesa antiaérea, em especial contra enxames dronados, permanecerá no centro das atenções enquanto o conflito segue redefinindo a natureza da guerra moderna.
Segundo o Institute for the Study of War, os próximos 30 dias podem ser decisivos para a Ucrânia manter sua atual linha de defesa no leste, à medida que a Rússia intensifica sua campanha de drones e artilharia de saturação.
O desfecho deste verão no front oriental poderá não apenas redefinir o mapa do conflito, mas também moldar o futuro da segurança europeia diante da era dos enxames dronados e da guerra híbrida.
Leia também: Caminho para a Paz? Zelensky Convoca Reunião com Rússia em Meio a Conflito Prolongado
Faça um comentário