Ucrânia sob ataque: Tragédia em Kiev e vitória anticorrupção marcam novo capítulo da guerra

Prédio parcialmente destruído em Kiev após ataque aéreo russo, com fumaça subindo dos escombros e árvores danificadas ao redor.
Prédio residencial destruído em Kiev após bombardeio russo na madrugada de 31 de julho de 2025.

Na madrugada de hoje, 31 de julho de 2025, a Rússia lançou um novo ataque aéreo devastador sobre Kiev, usando mísseis de cruzeiro Kh-101 e uma onda de mais de 300 drones Shahed-136 de fabricação iraniana. Segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, as forças ucranianas interceptaram 288 drones e três mísseis, mas cinco mísseis e nove drones conseguiram escapar das defesas, atingindo diretamente áreas residenciais, escolas e hospitais.

O ataque deixou ao menos seis mortos, incluindo uma criança de seis anos e sua mãe, e 82 feridos, entre eles nove crianças, de acordo com o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia. Um edifício de nove andares desabou parcialmente após o impacto direto de um míssil. Os resgates seguem em andamento.

Kiev acorda sob ataque

O horror da noite é contado nas palavras de sobreviventes. Olga Rudenko, moradora do quinto andar do prédio atingido, relatou ao Kyiv Independent:

“Achei que morreríamos todos. O teto desabou enquanto tentávamos acordar nossos filhos. Só conseguimos sair depois que vizinhos vieram nos ajudar pelos escombros.”

Dmytro Shevchuk, socorrista voluntário presente no local, descreveu a cena ao canal Hromadske:

“Era como um terremoto. Havia fumaça, estilhaços, gritos. Uma criança estava presa entre uma cama e uma parede de concreto. Conseguimos tirá-la a tempo.”

Impacto estrutural e resposta humanitária

De acordo com o prefeito Vitali Klitschko, os ataques danificaram 27 locais em quatro distritos, incluindo uma escola infantil e uma clínica médica. Ele afirmou em coletiva:

“Este não é um ataque militar. É um massacre de civis.”

A Cruz Vermelha Ucraniana e equipes da Unicef foram acionadas para fornecer suporte emergencial, kits de primeiros socorros, roupas e acolhimento temporário às famílias desabrigadas.

Reação internacional: nova rodada de sanções à vista

O alto representante da UE, Josep Borrell, condenou o ataque como “uma violação sistemática do direito humanitário internacional”, afirmando à Euronews:

“O alvo foram civis. A União Europeia está preparando uma nova rodada de sanções setoriais contra bancos, tecnologias duais e empresas militares russas.”

O Departamento de Estado dos EUA, em comunicado assinado pelo porta-voz Matthew Miller, declarou que Washington está “coordenando com aliados o envio imediato de sistemas adicionais de defesa aérea, incluindo mísseis Patriot”.

Vitória parlamentar e resistência institucional: reversão da lei anticorrupção

Em meio ao caos dos ataques, a Verkhovna Rada (parlamento ucraniano) aprovou por unanimidade (331 votos a favor) a revogação de uma emenda legal que permitia ao Procurador-Geral interferir na nomeação de líderes do NABU (Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia) e do SAPO (Procuradoria Especializada Anticorrupção).

Segundo reportagens da DW e da The Guardian, a decisão vem após protestos massivos em Kyiv, Lviv, Kharkiv e Odesa, motivados por temores de retrocesso institucional.

“Este é um passo histórico. Sob ataque, a Ucrânia escolhe o Estado de Direito”, disse Daria Kaleniuk, diretora do Centro de Ação Anticorrupção, em entrevista à BBC.

“Não estamos apenas lutando contra a Rússia, mas contra o passado corrupto que quase destruiu nosso país”, afirmou o deputado Yaroslav Yurchyshyn, do partido Holos.

Contexto estratégico: guerra em múltiplas frentes

Mudança de tática russa

Segundo o analista militar Mykola Bielieskov, ouvido pela Radio Free Europe, a Rússia busca “minar o moral da população urbana” e sobrecarregar os sistemas de defesa com ataques simultâneos de drones e mísseis.

Resposta aérea ocidental

A Alemanha e a Polônia anunciaram, nesta manhã, o envio de duas baterias IRIS-T e um sistema NASAMS para reforçar Kyiv. Segundo a Reuters, essa entrega está prevista para os próximos sete dias.

Avanço diplomático

A restauração da independência do NABU e SAPO é considerada, por Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, como “um passo vital para consolidar o status da Ucrânia como candidata plena à adesão à União Europeia”.

Conclusão

O ataque a Kiev é mais uma página sangrenta da guerra iniciada em fevereiro de 2022. No entanto, o mesmo dia que trouxe luto à capital também registrou um avanço importante na proteção das instituições democráticas do país. A decisão de restaurar a independência das agências anticorrupção mostra que, mesmo sob bombardeio, a Ucrânia continua comprometida com os valores de um Estado democrático moderno.

Enquanto as ruínas ainda são removidas dos bairros de Shevchenkivskyi e Solomyanskyi, a Ucrânia envia ao mundo uma mensagem dupla: ela não se renderá à força militar nem à tentação do autoritarismo interno.

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