Parcerias Estratégicas na Ásia e Ásia Central Reforçam Segurança Regional e Autonomia Energética

Mapa estilizado da Ásia e Ásia Central destacando os países Vietnã, Indonésia e Uzbequistão com bandeiras, ícones de energia e segurança, representando parcerias estratégicas regionais.
Ilustração geopolítica destacando cooperação entre Vietnã, Indonésia e Uzbequistão nas áreas de segurança e energia.

À medida que o cenário global se torna cada vez mais multipolar e competitivo, países da Ásia e Ásia Central buscam novas alianças para assegurar sua soberania, segurança e desenvolvimento econômico. Em regiões marcadas por disputas territoriais, influências de grandes potências como China e Rússia, e a urgente transição energética global, iniciativas de cooperação bilateral ganham importância estratégica vital. Neste contexto, a parceria de defesa entre Vietnã e Indonésia e o acordo energético entre Azerbaijão e Uzbequistão emergem como movimentos-chave que refletem essa nova dinâmica geopolítica.

Cooperação Militar e Segurança Regional: Vietnã e Indonésia

O fortalecimento da parceria estratégica entre Vietnã e Indonésia em 2025 sinaliza um esforço concertado para garantir a estabilidade em uma região vital para o comércio global, especialmente diante das tensões no Mar do Sul da China. Em 10 de março de 2025, durante a visita do Secretário-Geral Tô Lâm a Jacarta, os países oficializaram o “Parceria Estratégica Abrangente” que inclui intercâmbio de inteligência, treinamentos conjuntos e cooperação em defesa.

O General Phan Văn Giang, ministro da Defesa do Vietnã, declarou:
“Nossa colaboração não é apenas para fortalecer nossas capacidades militares, mas para promover a paz e estabilidade na região, protegendo os interesses legítimos de nossos povos.”

O ministro indonésio Sjafrie Sjamsoeddin complementou:
“Acreditamos que a cooperação multilíngue, incluindo exercícios como Komodo 2025 e Super Garuda Shield 2025, reforça a confiança mútua e a capacidade de resposta a desafios emergentes.”

Esses exercícios e protocolos ampliam a interoperabilidade das forças armadas, focando em segurança marítima, combate ao terrorismo e apoio a missões de paz da ONU. Também há esforços conjuntos para resolver disputas marítimas pacificamente, alinhados com a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar.

Autonomia Energética e Independência Geopolítica: Azerbaijão e Uzbequistão

Na Ásia Central, o acordo energético assinado em 2 de julho de 2025 pela Green Corridor Alliance — envolvendo Azerbaijão, Uzbequistão e Cazaquistão — estabelece uma nova rota de energia sob o Mar Cáspio. Este projeto inovador busca diminuir a dependência dos gasodutos controlados por Rússia e China, promovendo a integração com o mercado europeu e incentivando fontes renováveis.

Em 24 de julho, o contrato de US$ 2 bilhões entre Uzbekneftegaz e SOCAR para explorar o campo petrolífero Ustyurt foi destacado pelo Ministro da Energia uzbeque, Alisher Sultanov:


“Esta parceria é fundamental para garantir nossa independência energética e fortalecer a segurança econômica da Ásia Central, abrindo caminho para o desenvolvimento sustentável da região.”

O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, comentou:
“Estamos construindo um eixo energético soberano que fortalece nossos países e contribui para um sistema energético mais diversificado e resiliente.”

Riscos e Desafios

Apesar dos avanços, essas parcerias enfrentam desafios consideráveis. No Sudeste Asiático, a assertividade chinesa continua sendo um fator de instabilidade, com riscos de escalada em disputas territoriais no Mar do Sul da China. A manutenção da unidade dentro da ASEAN diante de pressões externas também pode afetar a eficácia da cooperação Vietnã-Indonésia.

Na Ásia Central, a complexidade política interna e a influência contínua da Rússia e da China podem impactar a implementação do Green Corridor e a exploração dos recursos naturais. Além disso, questões ambientais e sociais associadas à extração energética exigem gestão cuidadosa para evitar impactos negativos e protestos locais.

Contexto Regional Ampliado e Perspectivas Futuras

Essas iniciativas ocorrem num momento em que a multipolaridade reconfigura as relações internacionais. A Cúpula UE–Ásia Central de abril de 2025 reforçou a importância da integração econômica e cooperação estratégica, com compromissos bilionários que complementam os esforços locais.

A consolidação dessas parcerias não só fortalece a soberania dos países envolvidos, como também serve de modelo para outras regiões em busca de equilíbrio entre cooperação, segurança e autonomia em um mundo cada vez mais fragmentado.

Conclusão

As parcerias estratégicas entre Vietnã e Indonésia na defesa e Azerbaijão e Uzbequistão no setor energético representam respostas pragmáticas a desafios complexos. Elas refletem a determinação dos países asiáticos em proteger seus interesses nacionais, promover a estabilidade regional e garantir um futuro sustentável e independente em meio às mudanças geopolíticas globais.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*