Exército Chinês Tenta Obter Chips da Nvidia para Robôs Militares Apesar de Sanções dos EUA

Soldados do Exército Chinês durante exercício militar multilateral no Brasil
Destacamento de fuzileiros navais da China em exercício militar multilateral realizado no Brasil em 2024.

Documentos obtidos pelo Business Insider revelam que o Exército de Libertação Popular (ELP) da China tentou adquirir chips avançados da Nvidia — incluindo os modelos H100, H20 e RTX 6000 — para alimentar servidores de inteligência artificial e robôs quadrúpedes equipados com câmeras, apesar das restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Contexto e evidências

Segundo o Business Insider, os pedidos foram rastreados em plataformas de aquisição usadas por fornecedores do ELP e indicam o interesse em hardware de alta performance, como o robô quadrúpede de 15 kg com câmera HD, configurado para tarefas táticas. Os chips visados estão entre os mais avançados do mercado e são frequentemente usados para treinar e executar grandes modelos de IA.

As tentativas de compra incluem tanto chips proibidos pela legislação americana de exportação (como o H100), quanto variantes ainda permitidas, como o H20 e o RTX 6000. De acordo com a Reuters, o H20 foi especificamente desenhado com limitações para estar em conformidade com as regras de exportação dos EUA, mas ainda representa um salto em desempenho em relação a soluções locais chinesas.

Importância estratégica dos chips

O Nvidia H100 é atualmente o chip de escolha global para aplicações em modelos de linguagem de grande escala, visão computacional e operações militares de IA. A versão H20, embora tecnicamente inferior, ainda oferece poder de inferência suficiente para aplicações em tempo real e automação avançada, como drones, monitoramento urbano e veículos robóticos.

O modelo RTX 6000, voltado originalmente para o mercado de design e visualização profissional, também é útil em aplicações militares quando acoplado a sistemas embarcados e redes neurais otimizadas.

Evasão de embargos e compras indiretas

Os documentos indicam que as compras podem ter sido feitas através de empresas intermediárias, como universidades com vínculos ao Ministério da Defesa chinês, ou firmas registradas em Hong Kong. Essa tática, segundo o Business Insider, é uma das estratégias clássicas de evasão de embargos, utilizando canais civis para adquirir tecnologia sensível.

Atualizações recentes: liberação parcial e riscos

Em 31 de julho de 2025, os Estados Unidos anunciaram uma suspensão parcial das restrições ao H20, permitindo à Nvidia retomar vendas à China sob certas licenças. Segundo a CNBC, a empresa encomendou 300.000 chips H20 da TSMC para atender à crescente demanda, dobrando sua oferta para o mercado chinês.

Contudo, essa reaproximação gerou desconfiança: conforme divulgado pela Reuters, veículos estatais chineses exigem que a Nvidia entregue documentação técnica que comprove a ausência de vulnerabilidades ou “backdoors” nos chips, alimentando uma disputa sobre segurança cibernética e soberania digital.

Taiwan no centro da disputa

Com a TSMC sediada em Taiwan, a empresa que fabrica os chips da Nvidia desempenha um papel crucial e delicado. O domínio taiwanês sobre a cadeia de suprimentos de semicondutores torna a região geopoliticamente sensível, especialmente diante do desejo da China de incorporar Taiwan e controlar diretamente os ativos tecnológicos estratégicos. A centralidade da TSMC expõe riscos tanto para o fornecimento global quanto para a segurança digital de sistemas militares.

Repercussões econômicas e militares

As vendas do H20 podem gerar entre US$ 5 e 8 bilhões em receitas para a Nvidia, segundo a Reuters. Contudo, essa flexibilidade comercial é vista com receio em Washington, onde analistas alertam para o fortalecimento da capacidade militar da China, inclusive no campo da IA autônoma aplicada a conflitos.

Ao mesmo tempo, a Huawei apresentou um sistema de IA próprio — o CloudMatrix 384, com base nos chips Ascend 910C —, que a Reuters descreve como uma possível alternativa doméstica ao sistema GB200 NVL72 da Nvidia. Isso marca um avanço importante para a autonomia tecnológica chinesa em relação ao Ocidente.

Conclusão

A tentativa do ELP de obter chips Nvidia evidencia o papel central da IA na próxima geração de conflitos militares. Apesar dos embargos, o acesso parcial a chips como o H20 e o uso de intermediários civis reforçam a capacidade chinesa de contornar restrições e avançar na aplicação militar de tecnologias emergentes.

Se a guerra do futuro será travada por máquinas pensantes, quem controlará os cérebros por trás delas?

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*