
Em um contexto global marcado por incertezas econômicas e tensões comerciais, a Coreia do Sul anunciou, em 1º de agosto de 2025, um superávit comercial de US$ 6,61 bilhões em julho – abaixo dos US$ 9,08 bilhões de junho, mas ainda sinalizando um setor exportador resiliente.
Contexto e Dinâmica do Saldo Comercial
- Saldo de julho: US$ 6,61 bilhões (ante US$ 9,08 bilhões em junho, maior superávit desde setembro de 2018).
- Importações: cresceram 0,7% no mês, para US$ 54,21 bilhões.
- Causas do recuo do superávit: ritmo mais contido nos embarques após pico de junho e impacto de front-loading (envio antecipado) em função das tarifas americanas que entraram em vigor em 1º de agosto.
Superávit Comercial Mensal da Coreia do Sul (US$ bilhões)
Mês/Ano | Superávit Comercial (US$ bilhões) |
---|---|
Janeiro 2025 | 7,52 |
Fevereiro 2025 | 8,15 |
Março 2025 | 6,89 |
Abril 2025 | 8,30 |
Maio 2025 | 8,90 |
Junho 2025 | 9,08 |
Julho 2025 | 6,61 |
Fonte: Korea Customs Service, 2025.
Exportações: +5,9% e US$ 60,82 Bilhões
- Crescimento de 5,9% na comparação anual, acima dos 4,3% de junho e do consenso de mercado (4,6%).
- Total exportado: US$ 60,82 bilhões.
Exportações Sul-Coreanas por Setor – Julho de 2025 (variação anual %)
Setor | Crescimento Anual (%) | Valor Exportado (US$ bilhões) |
---|---|---|
Semicondutores | +39,3% | 12,4 |
Automóveis | +8,8% | 6,8 |
Navios e Estruturados Marítimos | +107,6% | 2,2 |
Eletrônicos | +6,1% | 8,7 |
Máquinas Industriais | +3,5% | 5,1 |
Fonte: Korea Customs Service, 2025.
Exportações por Destino – Julho de 2025 (variação anual %)
Destino | Crescimento Anual (%) | Valor Exportado (US$ bilhões) |
---|---|---|
Estados Unidos | +1,4% | 13,2 |
União Europeia | +8,7% | 11,7 |
China | -3,0% | 14,1 |
Sudeste Asiático | +7,2% | 9,0 |
América Latina | +4,5% | 3,5 |
Fonte: Korea Customs Service, 2025.
Impactos e Perspectivas
- Front-loading: Empresas anteciparam embarques para evitar tarifas mais elevadas a partir de agosto, o que pode levar a uma desaceleração nos próximos meses.
- Atividade fabril: O índice PMI (Purchasing Managers Index) da Coreia do Sul permaneceu em 48,3 em julho, indicando contração pelo sexto mês consecutivo.
- Riscos: Retração da demanda global, especialmente na China e Europa, volatilidade cambial e tensões geopolíticas.
- Oportunidades: Aumento da demanda por semicondutores devido à digitalização, veículos elétricos e inteligência artificial; expansão em mercados emergentes.
Projeções para o Segundo Semestre de 2025
De acordo com relatório recente do Banco da Coreia (BoK, julho 2025), espera-se que:
- O crescimento das exportações desacelere para cerca de 3-4% no terceiro e quarto trimestres, refletindo a normalização após o front-loading.
- O superávit comercial total do ano deverá fechar próximo a US$ 70 bilhões, ainda robusto, porém menor que os US$ 80 bilhões projetados no início do ano.
- A recuperação econômica global, especialmente nos EUA, deve apoiar a demanda por bens tecnológicos sul-coreanos.
Opiniões de Especialistas
“A Coreia do Sul continua sendo um pilar fundamental na cadeia global de semicondutores. Apesar das pressões tarifárias e riscos geopolíticos, o país mantém uma capacidade competitiva muito alta, graças à inovação e investimentos constantes,” — Dr. Kim Jae-Hoon, Economista-chefe da Korea Economic Research Institute.
“O desempenho nas exportações de navios indica uma recuperação importante no setor naval, que é estratégico para a Coreia do Sul. Com novos contratos governamentais e privados, esperamos que esse segmento continue em alta no curto prazo,” — Park Sun-Young, Executiva da Hyundai Heavy Industries.
“O impacto das tarifas americanas foi mitigado em parte pelo acordo bilateral, mas a volatilidade dos mercados e a desaceleração chinesa trazem desafios. A diversificação de destinos é essencial para minimizar riscos,” — Lee Min-Seok, Analista de Comércio Internacional do Banco da Coreia.
Conclusão
O superávit comercial de julho de 2025, acompanhado do expressivo crescimento das exportações de semicondutores e setores estratégicos, reafirma a posição da Coreia do Sul como potência exportadora global. Embora haja sinais de desaceleração e riscos associados ao cenário geopolítico, as projeções indicam que o país conseguirá manter um desempenho positivo no comércio exterior ao longo do segundo semestre.
Investimentos contínuos em tecnologia e a diversificação dos mercados internacionais serão fundamentais para sustentar essa trajetória.
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