Sanções dos EUA ao Irã: A Maior Operação desde 2018 e Seus Desdobramentos Geopolíticos

Navio petroleiro grande navegando em mar calmo sob céu parcialmente nublado durante o dia
Navio petroleiro navegando próximo à costa, ilustrando o transporte marítimo de petróleo e os impactos das sanções internacionais./ Etienne Girardet

Em 30 de julho de 2025, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou o mais amplo pacote de sanções contra o Irã desde 2018, reforçando sua estratégia de “máxima pressão” sobre Teerã. O foco recaiu sobre o setor de petróleo e transporte, com destaque para a rede de shipping controlada por Mohammad Hossein Shamkhani — filho de Ali Shamkhani, conselheiro sênior do líder supremo iraniano Ayatollah Ali Khamenei.

Detalhes das Novas Sanções

Escopo e dimensão:

  • Mais de 115 alvos (pessoas, empresas e embarcações) em 17 países foram sancionados.
  • Inclui 12 indivíduos, 52 navios e 53 entidades, dentre as quais 15 empresas de shipping ligadas a Shamkhani.

Objetivo:

  • (*) Reduzir as exportações de petróleo do Irã, que caíram de ≈1,8 para ≈1,2 milhões de barris/dia em 2025.
  • (*) Congelar ativos e bloquear o acesso ao sistema financeiro norte-americano dos alvos, impedindo transações com instituições americanas.

Rede de Shamkhani:

  • Acusada de intermediar tanto petróleo iraniano quanto russo, usando companhias de fachada nos Emirados Árabes Unidos e manobras como desligar sistemas de rastreamento AIS para ocultar cargas.
  • A UE já havia sancionado Shamkhani em 21 de julho de 2025, por facilitar o “shadow fleet” russo.

Reações e Ramificações

Resposta do Irã:
O governo classificou as medidas de “mal-intencionadas” e afirmou que elas visam prejudicar o comércio legítimo de petróleo, intensificando o sentimento antinorte-americano interno.

Repercussão internacional:

  • Europa: Alguns países expressaram preocupação com o impacto humanitário, mas apoiaram a necessidade de pressionar Teerã.
  • Índia: Em paralelo, seis empresas indianas foram sancionadas pelos EUA por acordos de US$ 220 mi no comércio de petróleo com o Irã, ilustrando o alcance global da operação.

Impactos Geopolíticos

Econômico-estratégico
Compromete a principal fonte de receita iraniana, forçando Teerã a buscar rotas alternativas (e mais caras) para escoar seu petróleo.

Segurança regional
Menores receitas podem reduzir o financiamento a grupos alinhados ao Irã em países vizinhos, alterando o equilíbrio de forças no Oriente Médio.

Dinâmica EUA-China-Rússia

  • Enquanto Washington promove seu “máximo aperto”, Pequim e Moscou tentam preencher o vácuo, mantendo negócios de energia com Teerã.
  • A sanção a um ator que também opera na cadeia russa de petróleo (shadow fleet) mostra a interseção entre políticas de contenção ao Irã e à Rússia.

Análise Crítica

Efetividade:
Embora crie obstáculos significativos, o Irã tem historicamente desenvolvido artifícios para burlar sanções (empresas offshore, redes de barter etc.).

Riscos:

  • Estímulo ao nacionalismo: medidas externas podem fortalecer a narrativa de “cerco imperialista” usada pelo regime para unificar o apoio interno.
  • Fragmentação de normas: diferentes visões entre EUA, UE e grandes importadores de petróleo (Índia, China) podem minar a eficácia coletiva das sanções.

Conclusão

As sanções de julho de 2025 reforçam a aposta dos EUA na pressão econômica para conter o Irã, mas enfrentam desafios de cooperação internacional e contra-táticas iranianas. O sucesso dependerá da capacidade de Washington em manter unidos seus aliados e de Teerã em resistir às restrições, ao mesmo tempo em que busca alternativas no mercado global de energia.

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