França contesta declarações de Trump sobre culpa da Ucrânia na guerra

A política francesa Sophie Primas fala na Assembleia Nacional em Paris, França, em 26 de novembro de 2024. REUTERS/Stephanie Lecocq/Foto de Arquivo
Sophie Primas discursa na Assembleia Nacional da França em Paris. REUTERS/Stephanie Lecocq/Foto de Arquivo

A França expressou perplexidade diante das recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que a Ucrânia seria responsável pela guerra em curso contra a Rússia. A porta-voz do governo francês, Sophie Primas, afirmou nesta quarta-feira (19) que não compreende a lógica por trás das palavras de Trump.

“Não entendemos muito bem a lógica dessas declarações”, disse Primas a jornalistas, referindo-se aos comentários “diversos, variados e muitas vezes incompreensíveis” feitos pelo líder norte-americano sobre a guerra na Ucrânia nos últimos dias. Ela também destacou que Trump não consultou seus aliados europeus antes de fazer tais afirmações.

Na terça-feira (18), Trump declarou que o conflito poderia ter sido evitado caso a Ucrânia tivesse negociado um acordo antes da invasão russa. “Você está nisso há três anos. Nunca deveria ter começado. Você poderia ter feito um acordo”, afirmou o presidente dos EUA.

As declarações do republicano geraram reações de aliados europeus, que têm se empenhado no apoio militar e diplomático a Kiev desde que a Rússia lançou sua “operação militar especial” em 2022. O conflito, considerado o mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, segue sem uma solução à vista.

Paz sem a Ucrânia?

A tensão aumentou ainda mais com a revelação de que Washington e Moscou iniciaram conversas de paz na Arábia Saudita sem a participação da Ucrânia. Kiev, assim como diversos países europeus, rejeita qualquer acordo imposto sem seu consentimento. O Kremlin, por sua vez, descarta a possibilidade de ceder os territórios ocupados.

Em meio às incertezas, o presidente francês, Emmanuel Macron, organizou reuniões informais com líderes europeus e o Canadá para discutir o futuro do apoio à Ucrânia. A mais recente ocorreu nesta quarta-feira, após uma rodada de conversas com representantes do Reino Unido, Itália, Alemanha, Espanha, União Europeia, Dinamarca e Holanda na segunda-feira.

O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, reconheceu que há divergências dentro da União Europeia sobre os próximos passos, mas ressaltou que “muito foi alcançado dentro do quadro da UE”. Ele enfatizou a necessidade de fortalecer a posição de Kiev para que tenha condições de negociar a paz em melhores termos.

Kristersson também alertou sobre a possibilidade de Moscou estar apenas fingindo interesse em um cessar-fogo. “Todos parecem acreditar que a Rússia quer negociar a paz. Eu não tenho tanta certeza disso. Precisamos manter a calma e continuar apoiando a Ucrânia”, disse o premiê sueco.

Enquanto isso, o futuro do conflito segue indefinido, com a Europa tentando equilibrar o apoio militar a Kiev e a busca por uma solução diplomática.

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