
O primeiro-ministro do governo houthi no Iémen, Ahmed Ghaleb al-Rahawi, foi morto em um ataque aéreo israelita contra Sanaa. A ofensiva não atingiu apenas o chefe de governo: vários ministros seniores também morreram, segundo confirmação das próprias autoridades houthis e de veículos internacionais. O grupo prometeu retaliação e emitiu um alerta para empresas estrangeiras deixarem Israel “antes que seja tarde”.
Quem era Ahmed Ghaleb al-Rahawi
Figura central do governo de facto estabelecido pelos houthis, Al-Rahawi ajudou a consolidar a administração rebelde que controla o norte do Iémen, incluindo a capital. Embora fosse o primeiro-ministro, relatos apontam que ele atuava mais como figura de representação na cúpula, com decisões estratégicas concentradas nos principais líderes do movimento.
Quem mais morreu no ataque
Fontes convergentes indicam mortes múltiplas no gabinete: ministros de Energia, Relações Exteriores e Informação estão entre os mortos. Israel afirmou que o ataque visou também o ministro da Defesa e outros altos responsáveis; o desfecho sobre o titular da Defesa permaneceu incerto nas primeiras horas, com relatos contraditórios. Em síntese, trata-se do primeiro ataque a matar altos dirigentes houthis desde o início da campanha israelita contra o grupo.
Resumo do quadro
• Morto: 1º-ministro Ahmed Ghaleb al-Rahawi
• Mortos: vários ministros seniores (Energia, Exteriores, Informação)
• Visados: ministro da Defesa e outros altos quadros (resultado inicialmente incerto)
• Houve feridos entre assessores e funcionários presentes no local
• Houthis prometem vingança pública e imediata
Quem assume o governo houthi agora
Com a morte de Al-Rahawi, o vice/primeiro-vice-ministro Mohamed (Muhammad) Ahmed Miftah foi designado para assumir interinamente as funções de primeiro-ministro. No topo da estrutura continua o Conselho Político Supremo, presidido por Mahdi al-Mashat, que atua como chefe de Estado nas áreas controladas pelos houthis. Na prática, isso significa continuidade do comando político e das diretrizes estratégicas do grupo.
Resposta imediata dos houthis
Lideranças do movimento divulgaram mensagens prometendo “vingança” e retaliação direta contra Israel. Ao mesmo tempo, voltaram a ameaçar rotas marítimas e a pressionar economicamente ao aconselhar a saída de empresas estrangeiras de Israel — linguagem coerente com a atuação recente do grupo no Mar Vermelho.
Impactos no Mar Vermelho e no comércio global
Os houthis já vinham atacando embarcações comerciais e lançando mísseis/drones em direção a Israel, o que motivou respostas aéreas e navais. Uma escalada após a morte do premiê tende a elevar o risco operacional nas rotas via Mar Vermelho/Canal de Suez, com custos de seguro e frete mais altos e potenciais desvios por rotas mais longas.
Ramificações internas: o que muda (ou não) dentro do movimento
- Sucessão e cadeia de comando
– A nomeação de Miftah como interino preserva o núcleo decisório sob Mahdi al-Mashat. A gestão do gabinete deve manter a linha dura, enquanto os órgãos de segurança e a ala militar (Defesa/forças mísseis e drones) seguem operando com autonomia operacional. - Coesão vs. “purga”
– Perdas simultâneas no gabinete podem gerar rearranjos internos (“mini-purga” ou promoção de quadros de confiança) para fechar brechas de segurança e reforçar lealdades. A curto prazo, a tendência é de rally-around-the-flag — coesão em torno da liderança —, sobretudo após o juramento público de vingança. (Análise baseada nos padrões recentes do grupo e na retórica oficial pós-ataque.) - Capacidade de governança
– A morte de ministros estratégicos pressiona áreas como energia, informação e diplomacia externa do governo de facto. Contudo, a máquina houthi costuma redundar funções e centralizar decisões no Conselho Político, o que tende a mitigar paralisia administrativa no curto prazo. (Análise própria, ancorada na estrutura formal do SPC.)
Repercussões regionais e cálculo estratégico
- Israel: lê a operação como “golpe esmagador” à liderança houthi, mas corre o risco de abrir uma frente mais ativa no sul da Península Arábica enquanto ainda gere pressões no Líbano e em Gaza.
- Irão: como principal apoiador, pode incrementar suporte logístico e inteligência para manter a capacidade de coerção dos houthis no Mar Vermelho. (Inferência alinhada à dinâmica do “Eixo da Resistência”.)
- Rotas marítimas/mercado de energia: mais ataques/disrupções elevariam prêmios de risco e poderiam repercutir em cadeias globais de suprimento.
- Diplomacia: maior pressão sobre mediações da ONU e de atores regionais para conter riscos à navegação e impedir que o conflito transborde ainda mais do eixo Israel–Gaza–Líbano para o Iémen de forma prolongada.
Conclusão
Não foi “só” o primeiro-ministro: o ataque dizimou parte do gabinete houthi e forçou uma sucessão imediata com Miftah assumindo interinamente. A estrutura do Conselho Político Supremo mantém a continuidade de comando, e a resposta anunciada aponta para mais pressão no Mar Vermelho e risco de regionalização prolongada do conflito.
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