
Desde o fim do cessar‑fogo em 18 de março de 2025, a Faixa de Gaza enfrenta uma escalada violenta desencadeada após o fracasso das negociações entre Israel e Hamas. Em 7 de outubro de 2023, o Hamas lançou um ataque que matou cerca de 1.200 israelenses e sequestrou 250 pessoas, desencadeando uma ofensiva que já deixou mais de 53.000 palestinos mortos até meados de maio de 2025, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza e agências da ONU.
Mortes e Feridos nas Últimas 24 Horas
Nas últimas 24 horas, ataques aéreos israelenses causaram a morte de 146 palestinos e feriram 459, de acordo com a Gaza Health Ministry. Destas vítimas, 58 foram registradas desde a meia‑noite de sexta-feira, e muitas permanecem soterradas sob escombros. As áreas mais atingidas incluem o norte de Gaza, especialmente Jabalia e Beit Lahia, além de ataques de precisão contra supostos alvos de comando do Hamas.
Operação Gideão: Preparativos e Objetivos
Estado‑Maior Israelense denominou internamente o plano de ofensiva terrestre como “Operação Gideão”. O objetivo principal é:
- Destruir as capacidades militares e de comando do Hamas.
- Resgatar reféns remanescentes.
- Assegurar controle operacional de áreas estratégicas na Faixa de Gaza.
Em 5 de maio, o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu confirmou a aprovação de planos para uma ofensiva intensiva, que poderá envolver a ocupação de toda a região urbana e rural de Gaza com forças blindadas e infantaria pesada.
Impacto em Hospitais: Novas Tragédias Sanitárias
A crise humanitária se agrava com hospitais continuamente visados e atingidos. No dia 13 de maio, a Força Aérea de Israel lançou bombas pesadas sobre o European Hospital, em Khan Younis, destruiu o pátio e deixou cratera no acesso à ala de emergência, segundo testemunhas. Pouco antes, atingiu o Nasser Hospital, matando dois civis e ferindo 12, incluindo profissionais de saúde. O diretor do Indonesian Hospital, em Beit Lahia, classificou a situação como “catastrófica”, com falta de medicamentos, pessoal e insumos básicos para atender aos feridos e doentes.
Caminhos Humanos e Sociais
Depoimentos de sobreviventes ilustram o drama cotidiano:
- Layla Ahmed (Jabalia): “Minha casa desabou em segundos. Corri para abrigar meus filhos, mas perdemos tudo.”
- Mahmoud al‑Khatib: “Fiquei horas sob os escombros sem saber se sobreviveria. Quebrei paredes com as mãos para respirar.”
Mais de 93% dos 2 milhões de gazenses vivem em insegurança alimentar aguda, segundo agências da ONU, que alertam para risco iminente de fome e colapso completo dos serviços públicos.
Plano de Realocação para a Líbia e Rejeição Internacional
O governo dos EUA estuda a transferência de até 1 milhão de palestinos para a Líbia, em quatro fases logísticas que incluem registro, transporte marítimo e montagem de infraestruturas temporárias próximas a Trípoli. Essa proposta é rejeitada por:
- Autoridade Palestina e Hamas: classificam o plano como despejo forçado.
- União Europeia: considera a iniciativa inviável e defende soluções dentro da Faixa de Gaza.
- ONGs (Anistia Internacional e HRW): denunciam violação à Convenção de Genebra e pedem responsabilização jurídica de envolvidos.
Negociações de Reféns e Mediação Internacional
As tentativas de intercâmbio de prisioneiros envolvem o Catar, a Suíça e a Cruz Vermelha. As negociações avançam em quatro pontos críticos:
- Lista e perfil dos reféns civis e combatentes.
- Garantias de passagem segura e fiscalização humanitária.
- Calendário de trocas escalonadas.
- Pressões de facções radicais que ameaçam boicotar acordos.
Reações da ONU e da Comunidade Internacional
17 de maio, o Secretário‑Geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou‑se “alarmado” com o início da ofensiva terrestre e apelou por um cessar‑fogo imediato, advertindo sobre riscos de limpeza étnica devido ao cerco intensivo a civis e hospitais. A comunidade internacional pressiona por abertura de corredores de ajuda e supervisão independente das entregas de insumos.
Perspectivas e Desafios
A ofensiva terrestre promete intensificar a devastação urbana e agravar a crise humanitária. Torna‑se urgente:
- Um cessar‑fogo imediato para preservar vidas.
- A retomada de negociações multilaterais visando reconstrução e solução política de longo prazo.
- Monitoramento internacional para garantir respeito ao Direito Internacional Humanitário.
Conclusão
O ciclo de violência em Gaza, marcado por ofensivas aéreas intensas e a iminência de uma incursão terrestre, tem consequências humanitárias e políticas de longo alcance. A morte de 146 civis em 24 horas expõe não apenas o caráter letal dos bombardeios, mas também a fragilidade de um sistema de saúde já exaurido e de uma população confinada a um território sitiado. A proposta de realocação para a Líbia, rejeitada pela comunidade internacional e pelos próprios palestinos, evidencia a urgência de alternativas que respeitem direitos humanos e a dignidade dos afetados.
Para avançar rumo a uma solução sustentável, torna-se imprescindível:
- Um cessar‑fogo imediato, acompanhado de mecanismos de fiscalização independentes;
- A garantia de acesso irrestrito de ajuda humanitária, com corredores seguros e supervisão da ONU;
- A retomada de negociações multilaterais, com a participação ativa de mediadores regionais e garantias de implementação de acordos.
A conjugação de uma resposta emergencial robusta com um processo político inclusivo é a única via possível para interromper o ciclo de destruição em Gaza. Sem ações concretas que aliem alívio imediato à população com um roteiro diplomático claro para a reconstrução e a paz, a região continuará mergulhada em instabilidade e sofrimento humano.
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