
O presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, reuniram-se na segunda-feira, 26 de maio, no Kremlin, para discutir os esforços em curso para encerrar a guerra na Ucrânia e os desdobramentos das recentes negociações entre Moscou e Kiev. A visita de dois dias de Fidan a Moscou reforça o papel da Turquia como mediadora nas tentativas de resolução do conflito.
Avaliação das negociações em Istambul
Em 16 de maio, representantes da Rússia e da Ucrânia se encontraram em Istambul pela primeira vez desde março de 2022. Embora não tenha sido alcançado um cessar-fogo, as partes concordaram em trocar 1.000 prisioneiros de guerra e apresentar, por escrito, suas propostas para um possível cessar-fogo.
Posteriormente, em 23 e 24 de maio, ocorreram trocas de prisioneiros: cada lado libertou 390 e 307 detidos, respectivamente, incluindo soldados e civis.
Discussão sobre memorando de paz
Durante o encontro, Putin e Fidan discutiram as iniciativas recentes para encerrar a guerra e os desenvolvimentos após as negociações realizadas em Istambul.
Embora não tenha sido divulgado um rascunho formal de memorando de paz, a Rússia indicou que está trabalhando em propostas que serão apresentadas à Ucrânia.
Papel da Turquia como mediadora
A Turquia reafirmou sua disposição em sediar futuras rodadas de negociações e continuar atuando como facilitadora neutra. Além de Istambul, outros locais como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar e Omã foram considerados por Moscou como possíveis anfitriões para futuras conversas.
Fidan também é esperado em Kiev ainda esta semana para discutir os próximos passos com autoridades ucranianas.
Cooperação econômica e energética
Além das discussões sobre a paz, Fidan buscou o apoio de Putin para resolver questões pendentes relacionadas à usina nuclear de Akkuyu, construída pela Rosatom no sul da Turquia, e às negociações entre a Gazprom e a operadora de gasodutos turca Botas. As conversas abordaram pagamentos de gás natural e destacaram a complexidade da relação econômica e estratégica entre os dois países.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar das trocas de prisioneiros e das discussões em andamento, o conflito continua intenso. Em 24 de maio, a Rússia lançou um dos ataques mais intensos com mísseis e drones contra Kiev desde o início da guerra, resultando em mortos e feridos.
As negociações enfrentam obstáculos significativos: a Rússia exige que a Ucrânia retire suas tropas de territórios anexados e interrompa esforços de mobilização, enquanto Kiev, com o apoio de aliados ocidentais, insiste em um cessar-fogo e na continuidade do suporte militar.
Conclusão
O encontro entre Putin e Fidan destaca a importância da diplomacia e do diálogo contínuo na busca por uma solução pacífica para o conflito. A Turquia continua desempenhando um papel crucial como mediadora, e os próximos passos, incluindo a visita de Fidan a Kiev, serão fundamentais para determinar o rumo das negociações.
Faça um comentário